terça-feira, janeiro 24, 2006

Amigos cento e dez ou talvez mais que eu já contei
Vaidades que eu sentia
Supus que sobre a Terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais
Amigos, cento e dez tão serviçais
Tão zelosos das leis de cortesia
Que eu já perto de viver me escapulia
às suas curvaturas vertebrais
Um dia adormeci profundamente
E ceguei
E dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos
Que vamos lá fazer? - Diziam eles -
Se ele está cego e não nos pode ver!
Que cento e nove impávidos marotos!!!

quarta-feira, novembro 30, 2005

A angústia, isso.Olhar o espelho e não ver mais o rosto de que gostavas mas um outro em que as marcas do tempo se vão sentindo, pouco a pouco.Olhar o teu corpo e saber que já não vês o corpo jovem de outrora, tem marcas dos anos, dos amores, da maternidade tão desejada mas tão exigente.Olhar as tuas filhas e vê-las mulheres jovens como já foste, há uns tempos. Orgulho mesclado com um pouco de inveja da vida por viver.
A angústia ou isso.Olhar para dentro de ti e encontrar lá escondida, num canto qualquer, a mesma rapariguinha, a mesma mulher. Sentir que, por dentro, nõo envelheceste. Tens algumas marcas, algumas rugas mas, és capaz das mesmas ilusões e dos mesmos sonhos. Talvez mais serenos, mas ainda assim é.
Porque é que a alma, o coraçãoo, onde quer que os sentimentos se alojem, não vai tambem envelhecendo, acomodando-se com o passar do tempo e adormecendo em paz?